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Alunos de Santa Maria vencem concurso regional PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Dois alunos do professor José Melo, da Escola de S.Pedro, foram os grandes vencedores do Concurso Regional “Biodiversidade dos Açores-Fotografias com Histórias”, na faixa etária com menos de 14 anos, promovido pela delegação Açoriana do CRE (Regional Centre of Expertise on Education for Sustainable Development), pelo Grupo de Biodiversidade da Universidade dos Açores, pelo Centro de Ciência da Terceira, e outras entidades regionais ligadas ao Ambiente e ao Desenvolvimento Sustentável.

Os alunos João Manuel Cabral, com um trabalho puramente ligado à Biodiversidade (plantas endémicas arbustivas) e o Jorge Henrique Bairos Tavares, incidindo na geodiversidade (algas fossilíferas), foram distinguidos, respectivamente, com o primeiro e segundo lugares.

 
 
Foto - João Cabral
 
1º Classificado         Titulo: “A Erica e o Louro”
“A urze (Erica azorica) e o Louro (Laurus azorica), encontram-se no alto de uma encosta apreciando uma paisagem. Estão a namorar e a ouvir a música da água a correr lá em baixo na Ribeira dos Lemos. Estava à procura de plantas endémicas que fossem arbustos e chamaram-me à atenção, logo duas de “mãos dadas”. Senti alegria por ter encontrado duas plantas endémicas neste lugar e ainda se pode ver na foto, lá mais atrás, a Picconia azorica (Pau branco) toda mexeriqueira a vigiar a cena do namoro ☺”
 

 
Foto - Jorge Tavares
 
2º Classificado          Titulo: “Algas de pedra”
“Algumas algas marinhas que se apresentam na forma de fósseis, no caminho da Prainha para a Praia Formosa, completamente paradas, num “sono eterno”. Transportam a vida do passado. A escolha foi a minha curiosidade de ver e registar plantas que antes eram vegetais e agora são de pedra, o que me faz pensar que a vida passa e o que nasce morre, mas as pedras ficam e duram muito para testemunhar”


O trabalho dos alunos premiados fez parte de um vasto leque de actividades, no âmbito do seu Projecto Curricular de Turma –“Ecologistas Activos”, e resultou de um trabalho de campo, dentro e pós-horário lectivo, desenvolvidos na Prainha, Barreiro da Faneca, Baia da Cré, Ribeira dos Lemos, Mata do Pilar e Anjos. Depois de sessões de sensibilização/informação preliminares na sala de aula, os grupos de alunos, de acordo com suas preferências incidiram sobre temas como “vegetação endémica rasteira”, “vegetação endémica arbustiva”, “Vegetação primitiva”, “Invasoras ameaçadoras”, “Degradações ambientais”, “Fósseis-testemunhos de milhões de anos”, “Exploração de grutas”, “Vida nas ribeiras” e “O que mexe, entre-marés”. Consistiam as tarefas no registo fotográfico, preenchimento de fichas específicas e elaboração posterior de uma história, de caris descritivo ou ficcionário, para a situação escolhida.

Sendo, as imagens, as fichas e as histórias associadas, nos termos do Regulamento, propriedade da Organização, para efeitos de publicações, no corpo deste texto inserem-se as segundas fotos, com o resumo textual que serviu para os alunos as enquadrarem contextualmente.

Refira-se que o Concurso, que no total teve 98 candidaturas, se inseriu no âmbito das comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade, e visou, fundamentalmente “contribuir para o fomento da educação ambiental e desenvolvimento sustentável nos Açores, incentivando a comunidade escolar e população em geral a:  i)- Utilizar a fotografia como forma de expressão e de comunicação; ii)- Observar criticamente a biodiversidade dos Açores, analisando as espécies e os seus contextos; iii)- Promover a consciência ambiental através do estudo e da investigação, iv)- Conhecer, proteger e divulgar a biodiversidade e as riquezas naturais dos Açores“, entre outros objectivos.

O Júri, constituído por nove pessoas entre biólogos, geólogos, especialistas em educação ambiental, professores e fotógrafos profissionais, avaliaram as candidaturas tendo por base critérios de “Criatividade, Originalidade, Qualidade, Conformidade com os Objectivos do Concurso e Associação”, para além da “ligação contextual e ajustada entre o texto da história e o registo fotográfico”.

Refira-se, ainda que, segundo a Organização, os trabalhos premiados serão “integrados em exposições a realizar em Setembro de 2010, em locais, ainda a definir”, sendo uma oportunidade para divulgar e promover Santa Maria.

Como mensagem ambiental aos banhistas e utilizadores do mar, e porque entrámos recentemente na época balnear, aproveitamos o ensejo, através das paginas do Baluarte, para apresentar, uma história que não foi premiada, ligada a um registo de “degradação ambiental no litoral”, cujos personagens são o Mar, a Areia e a Rocha, e que foi trabalhada colectivamente.


LAMENTOS DOS TRÊS VIZINHOS


Foto - Wilson Paiva

Lamento dos “três vizinhos”: Mar, Areia e Rocha

 
Numa manhã de Verão, logo ao nascer do sol, a Praia Formosa estava deserta e o mar muito calmo. Só se ouvia um ligeiro marulhar das ondas, junto das pequenas rochas, e a espuma das marés que se desfazia na Areia.

    -- Ó vizinho, hoje estás muito calmo! – Disse a areia ao Mar.
    -- É verdade, eu gostaria de estar sempre assim, mas, como sabes, o vento, às vezes, mexe muito comigo. – Respondeu o mar.
    -- Eu também gostaria que estivesses sempre sossegado, porque eram menos pancadas que apanhava das tuas ondas. – Acrescentou a rocha lá quieta no seu lugar.
    -- Eu detesto quando ficas bravo, e sabes porquê? – Perguntou a Areia ao Mar.
    -- Hum…Estou a pensar…Será porque faço muito barulho?
    -- Não, não é por isso amigo Mar. É porque mexes comigo de um lado para o outro e trazes muito lixo para a praia. – Explicou a Areia.
    -- Tu tens razão, mas eu não tenho culpa nenhum disso, porque quem atira o lixo para cima de mim são as pessoas porcalhonas, que não respeitam o ambiente. – Justificou o mar com um ar tristonho.
    -- É verdade vizinha Areia! Eu posso testemunhar o que disse o Mar, porque nunca saio daqui, e tenho visto muitas pessoas a fazerem aquelas “maldades”. Até eu tenho apanhado também com bastante lixo em cima, que depois o amigo Mar, lá leva algum para me aliviar! – Interveio a Rocha, confirmando as palavras do vizinho Mar.
    -- Agora compreendo tudo. Estás desculpado amigo Mar. Afinal a culpa é das pessoas mal-educadas, e nós sofremos os três com o seu mau comportamento. – Concluiu a Areia com uma voz pesarosa.
    -- É verdade, é a triste verdade. Mas penso que esta situação um dia vai acabar. – Disse o Mar, consolando as suas vizinhas.
    -- Hum…Será mesmo? Mas porque tens tanta esperança? – Perguntaram as duas ao mesmo tempo e com expectativa.
    -- É porque, nos últimos anos, tenho visto os meninos da escola a tirarem lixo da praia e das rochas e, como vocês sabem, eles é que vão ser os homens e as mulheres de amanhã. – Esclareceu o Mar.
    -- Também eu já os vi, e saboreei algumas dessas acções de limpeza. – Confirmou a Areia com alegria.
    -- É verdade e ouvi dizer que os meninos da escola de Almagreira limparam, ontem, a Praia Formosa e os “Ecologistas Activos” da Escola de S.Pedro vão ajudar a limpar os Anjos terça-feira, dentro dos Programas ECO-FREGUESIAS e ENTRE-MARES. – Confirmou a rocha, que está sempre atenta às notícias.
   -- São programas como o ECO-FREGUESIAS, ENTRE -MARES e outros como a BANDEIRA AZUL e ECO-ESCOLAS, com a participação das crianças e adultos, que nos dão a esperança de termos um futuro mais limpinho. – Afirmou o Mar.
    -- E todos ganharão um melhor ambiente e uma ilha mais bonita e atraente para os turistas. – Acrescentou a Areia já mais confiante.
    -- Até acredito que esses meninos, com o seu exemplo, poderão contribuir para mudar o comportamento dos pais e de outras pessoas adultas. – Disse, ainda o Mar, reforçando a sua esperança.
    -- Nós também! – Exclamaram ao mesmo tempo a Areia e a Rocha, já mais sorridentes.